The Last Time I Saw Richard

Janeiro 30, 2015 17:32
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Quantos géneros podemos introduzir numa curta? “The Last Time I Saw Richard” não é uma curta comum. Retrata simultaneamente a amizade e drama com o suspense e terror grotescos.  Nicholas Verso fez um trabalho extraordinário, e a prova disso foi o marcante prémio que alcançou: vencedor da AACTA 2014 para melhor curta metragem.

Inicialmente o argumento centra-se numa personagem, Jonah. Nesta clínica mental, Jonah é um rapaz solitário e também pouco amado pelos seus colegas pacientes. No entanto quando um novo paciente, Richard, é admitido, Jonah vê-se a si mesmo a criar um novo laço de amizade. Jonah descobre um tipo de amor para além do amor a si próprio. Acontece que existe toda uma mística obscura inerente a Richard.

A curta rapidamente se torna arrepiante. É de realçar um momento especialmente marcante em que é citado William Shakespeare: “Fechado numa casca de noz, julgar-me-ia rei do espaço infinito. Não tivera eu sonhos maus…”. E é precisamente neste momento em que o espetador se apercebe da maldição de Richard: os seus pesadelos. Pesadelos talvez demasiado reais?

A curta desenvolve as personagens de forma brilhante, o que nem sempre é trivial, principalmente numa curta metragem. Rapidamente empatizamos com as personagens e sentimos na pele os seus medos, do início ao fim.

Tudo isto juntamente com os efeitos especiais e excelentes representações dos rapazes, Nicholas eleva a curta a um estatuto de uma longa metragem. Na verdade, uma das sensações com que se fica é o desejo uma versão em longa metragem desta curta.

 

Sobre o autor do artigo
- Músico, compositor e licenciado em informática mas acima de tudo um curioso amante de todas as formas de expressão, vulgarmente chamadas de "arte".