Photographs

Março 12, 2015 19:17
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É extremamente interessante como objetos em mãos de diferentes pessoas, podem ganhar valores tão distintos. O que a personagem principal encontra no lixo, uma máquina instantânea da qual alguém se quis desfazer, torna-se num objeto querido e dá asas a uma experiência que lhe trará alegria.

Numa cidade aparentemente desabitada, inundada por um ambiente cinzento e taciturno, desenvolve-se esta história, simples mas comovente. A atmosfera sombria é uma constante em toda a curta e dota-a – apesar desta ter lugar em diversos locais – de uma boa continuidade espácio-temporal. A banda sonora é um elemento que ajuda, e neste caso em especial, na criação da tal continuidade já referida. A simplicidade e a fluidez das linhas dos desenhos, estão em conformidade com o tipo de sentimento que a curta pretende transmitir, a simplicidade e a candidez de uma mulher que vive das coisas simples da vida e que encontra, numa coisa tão simples como uma fotografia, motivo de rejúbilo e conforto. Um dos fatores mais curiosos, em relação a este tipo de curtas, é como a história se desenvolve e como há uma progressão lenta no que toca a pontos de tensão e, mesmo assim, o produto final constitui um filme intrigante e interessante.

Algumas vezes o espetador é colocado na perspetiva da camara, em p.o.v (point of view) mas, na maior parte das vezes, é apenas um mero observador. É tão externo à ação como a realidade que rodeia a senhora lhe é indiferente. Os sítios que visita são apenas meios para atingir um fim, constituirão, depois, um gesto singular e comovente para relembrar alguém.

Estar no presente nem sempre significa viver o presente. E o que é relembrar o passado se não contarmo-nos histórias a nós próprios? Esta curta-metragem de Brendan Clogher e Christina Manrique, é uma história sobre uma mulher que sente falta do passado e que, ao entrar numa pequena aventura, tenta reconstituir certos momentos, outrora eternizados. A empatia imediata que o espetador cria com a personagem é inevitável, e esta é uma história com que toda a gente pode se identificar, afinal, a vida é efémera, as pessoas são efémeras, só as fotografias viverão para além de nós.

Elsa Pacheco Ribeiro
Sobre o autor do artigo
- Estudante de Cinema na Universidade da Beira Interior. Guitarrista entusiasta, retratista e leitora compulsiva. Nutre uma leve obsessão por Rodin e motos antigas.