Invention of Love

Fevereiro 13, 2015 17:18
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O Dia de S. Valetim (também conhecido como o Dia dos Namorados) está bem próximo e por isso o Curta & Meia decidiu trazer uma curta que aborda o amor de forma bastante curiosa. Lançada em 2010 por Andrey Shushkov, Invention of Love conta a história de um inventor que vive num mundo marcado pela presença de máquinas. Neste lugar, as máquinas não servem apenas para ser úteis ao homem, mas servem também de ambiente, onde até os animais e a vegetação são feitas por parafusos e engrenagens. Montado em seu cavalo mecânico, o inventor acaba por se apaixonar por uma mulher que vive num mundo cheio de coisas naturais, orgânicas, com flores e árvores de verdade. Os dois decidem se casar e ficar juntos, mas para isso acontecer, ela teve de sair da sua cidade, se despedir da família e ir em direção à cidade dele, onde tudo é feito de máquinas. Ao chegar neste lugar ela fica assustada, não se adapta bem e começa sentir os efeitos de um lugar regido pelas máquinas e pela indústria: a poluição.

Inspirado no trabalho da alemã Lotte Reiniger (pioneira na animação com silhuetas) e na curta The Mysterious Explorations of Jasper Morello do realizador Anthony Lucas (de temática steampunk), Invention of Love também utiliza este subgénero de ficção científica para abordar os paradigmas tecnológicos modernos. Todo feito em silhuetas, tendo como pano de fundo cores que alternam entre o azul, o cinza e o amarelo, Andrey Shushkov decidiu realizar a sua curta metragem sem diálogos. Toda a narrativa se concentra nas atitudes e na expressão corporal das personagens, conduzida brilhantemente pela trilha sonora, que ora nos traz felicidade ora nos traz melancolia.

A curta é bem mais profunda do que aparenta ser. Isto é, não é apenas uma história de amor. Ela também nos faz refletir de forma subtil e genial sobre o homem moderno e as suas criações. Pondo em causa o mundo tecnológico, as consequências e os limites dessa tecnologia.  Será que o homem pode criar tudo o que quiser? Será que o homem pode moldar o mundo à sua maneira? O homem está a progredir tecnologicamente, mas também está a retroceder ao causar prejuízos ao seu próprio planeta.

A utilização da rosa como alegoria para a vida é muitíssimo interessante. A rosa que ela havia levado do seu mundo para o dele começa a morrer, e ele decide oferecer à ela uma flor mecânica. A rosa é um elemento crucial para o entendimento do desfecho brilhante da curta, que, como o próprio nome sugere, aborda a “invenção do amor”. E escrevo entre aspas precisamente para questionar se é realmente possível inventar o amor. Bem, só podem descobrir estas questões se assistirem a curta.

Mayara Festim
Sobre o autor do artigo
- Licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Universidade do Minho, Mestranda em Mediação Cultural e Literária. Interesse por todas as formas de arte, mas em especial, a sétima arte.