Exit

Fevereiro 5, 2015 11:30
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Um truque de magia pode não ser apenas um inofensivo ato de ilusão onde é feito alguém desaparecer, pelo menos o que este mágico nos propõe não é. Desaparecer não é o mesmo que deixar de existir e este homem vai-nos mostrar porquê.

Um dos temores que o ser humano partilha em geral, é o medo de ser esquecido ou de esquecer. Crispen Geeles, personagem notoriamente interpretado por Julian Glover, é incumbido, durante uma reunião familiar, onde os presentes festejam ambos a época natalícia e o recente casamento de James e Jessamy, de fazer um dos seus truques de magia. Relutante em atender ao pedido, Geeles explica aos presentes, com especial insistência a Todman que se revela mais interessado que os restantes, o facto dos seus “truques de magia” não serem apenas isso, “truques”. A curiosidade é um sentimento comum a todos os que estão na sala mas, também, o medo.

Exit é uma curta-metragem do género thriller, expressivamente marcada por tons pastel, sépias, beges, e cinzas, que remetem de certa forma para o seu subgénero, sendo também esta uma curta de época. Relativamente à fotografia só existem elogios a tecer. Os planos aproximados e as composições equilibradas e bem iluminadas resultam belissimamente e, certos pormenores, remetem para o cuidado com que Bresson filmava a peculiaridade dos espaços, e a forma sublime como capturava as mãos dos atores e os movimentos que, eternizados, marcaram várias das suas obras. A partir dos longos planos e da suave transição entre os mesmos, o espetador acaba por emergir nesta arrepiante história. Com diálogos e monólogos muito bem conseguidos, esta obra de Daniel Zimbler inspira, no espetador, sentimentos como poucos outros filmes do mesmo género, até mesmo os de longa duração, e prende inegavelmente a audiência nesta experiência sem ponto de retorno.

Vencedor dos prémios: Best International Short Film no Paris International Fantastic Film Festival, Audience Award no Court Metrange Film Festival; Official Selection: Palm Springs Shorfest; Fantastic Fest; Raindance Film Festival.

Na vida, como disse Lavoisier “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. A magia pode encantar-nos, fazer aparecer e desaparecer mas só alguns fenómenos de índole incrível podem fazer algo deixar realmente de existir.

 

Elsa Pacheco Ribeiro
Sobre o autor do artigo
- Estudante de Cinema na Universidade da Beira Interior. Guitarrista entusiasta, retratista e leitora compulsiva. Nutre uma leve obsessão por Rodin e motos antigas.