88:88

Novembro 22, 2014 14:57
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Val decide enfrentar os acontecimentos bizarros com os quais se vê obrigada a conviver e que a levaram a uma alienação total em relação ao seus entes próximos. Às três horas e vinte e seis minutos da manhã a hora muda, 88:88 vai parecer uma eternidade.

Ripostando desesperadamente contra uma atividade inexplicável, a personagem reage, respondendo na defensiva: engenha várias peripécias que, se bem sucedidas, a manterão segura, repelindo a “força” que a assombra.

Durante catorze impressionantes minutos, Sean Wilson e Joey Ciccoline oferecem-nos uma história conspícua, que realizaram sem orçamento, com espaços simples e falas mínimas. Os planos fechados enaltecem a simplicidade e o carácter inofensivo da personagem principal e, ao mesmo tempo, seguem os seus movimentos mostrando-nos a clara determinação que esta possui em se ver livre deste temor.

A banda sonora, perfeitamente equilibrada entre sons diagéticos e música, confere intensidade à trama e profundidade à incognita que suporta a história e alimenta o clima de suspense. Selecionado para o “YouTube Your Film Festival” em 2012 e nomeado para três “MiniCinema Awards”, em 2013: Melhor Som, Melhor VFX, Melhor Atriz, esta curta-metragem prova que criatividade e uma ou duas soluções técnicas bem pensadas, podem resultar no nascimento de uma narrativa arrepiante, coerente e intrigante.

Em menos de um quarto de hora, usando apenas uma mão cheia de atores, uma ideia interessante e uma crew empenhada, cria-se um filme sci-fi com fortes picos de tensão e um clímax intenso e belíssimantente executado, quanto à estética.

Elsa Pacheco Ribeiro
Sobre o autor do artigo
- Estudante de Cinema na Universidade da Beira Interior. Guitarrista entusiasta, retratista e leitora compulsiva. Nutre uma leve obsessão por Rodin e motos antigas.